12 de set. de 2017

PATRIMONIO

Minho está a ficar ao léu: pela coordenação da gestão poliorcética


Participantes no Seminário sobre Fortificações, acontecido a finais de Agosto em Almeida
Foto: José Buiza Badás

José  Buiza Badás *

 No passado Seminário sobre Fortificações, acontecido a finais de Agosto em Almeida, fizera-se uma abordagem muito interessante sobre a situação real e não deturpada da rede militar moderna ligada à Guerra de Restauração portuguesa no Minho. O professor Ramón García Gómez, junto de outros, expôs os seus artigos e opiniões já nas Jornadas de Valorização das Fortificações no passado mês de Abril, visando dar luz sobre aspectos novos e inéditos d Raia Húmida. A sua permanente participação en foros e publicações reforça a ideia de que é preciso um trabalho suplementar relativamente a este âmbito geográfico minhoto. Tem focalizado a sua pesquisa entre as fozes do Lima e do Minho. 

 O arquitecto Fernando Cobos Guerra, do ICOMOS e ICOFORT, fez umas revelações contundentes aquando este que escreve pergunta-lhe sobre a situação atual do sistema minhoto e os seus subsistemas. A  resposta é a que se segue: “Nós, em tempos, dissemos cómo é que deviam ser feitas as coisas e eles… no entanto, fizeram justamente o contrario (…)”, pressentindo aliás um desfecho negativo da gestão toda. Não faltaram alusões ao desastre paisagístico de Santa Cruz, ao Espaço Fortaleza e outras questões. 

 Nos debates posteriores, tocou-lhe a vez a todos os que somos contra a protelação do discurso poliorcético, a sua deturpação, sendo substituído por um outro discurso “lúdico”, de “animação-cultural”, etc., que, com verdade, é a perfeita desculpa esfarrapada para nada fazer e nada avanzar em termos de gestão. Este ponto avivou a polémica pairando no ar uma raiva evidente e um interesse bem pronunciado. D. Moisés Cayetano Rosado, da revista “O Pelourinho”, expressou o seu mal-estar  por todas estas questões e o próprio João Campos assentía da mesma maneira. Eu sentía-me deveras confortado. Até que, enfim, está-se a falar do Minho!!!! 

 Senhores, o Minho está ao léu, impávido e sereno pela gestão distorcida do seu impressionante património militar. É preciso remover os alicerces duma gestão que  não é tal, nem como tal se apresenta.     


* Membro da Association Vauban e da Asociación Española de Amigos de los Castillos. 

ENCONTROS  POLIORCÉTICOS   

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