11 de out. de 2017

ARCOS DE VALDEVEZ

Fados em Valdevez 

Cláudia Leal e Marco Rodrigues esgotaram auditório da Casa das Artes   

Cláudia Leal

María Joâo Brito / Arcos de Valdevez

 O passado fim de semana foi dedicado ao Fado em Arcos de Valdevez. 

 No dia 6 de outubro subiu ao palco da Casa das Artes Cláudia Leal para apresentar o seu mais recente trabalho "Quarto Crescente". Cláudia Leal, dona de uma voz e de uma presença que encanta, marca a diferença no panorama do fado por ser a única mulher que toca e canta. O seu novo trabalho, "Quarto Crescente", teve um plano original e possui uma particularidade inovadora; cada tema tem uma produção própria, ou do compositor ou do músico executante. Para além de contar com a participação de grandes músicos como Pedro Jóia, Rão Kyao, José Manuel Neto, Carlos Manuel Proença, Rogério Ferreira, Rodolfo Godinho, Pedro Henriques, Daniel Pinto e Vicky Marques, passa igualmente pelos grandes Poetas como António Botto, Mário Rainho, Guilherme Pereira da Rosa ou António Calém. A qualidade deste trabalho deve-se também a excelentes compositores tais como Francisco Carvalhinho, Pedro Joia, Maria Teresa de Noronha ou Ricardo Ribeiro. Este Disco é constituído fundamentalmente por fados tradicionais aos quais se juntam inéditos criados para a singularidade da voz de Cláudia Leal. Em "Quarto Crescente", Cláudia Leal apresentou-se pela primeira vez não só como autora e compositora com o tema "O Sal Vem da Saudade", mas também como executante de guitarra clássica no fado "Fado e Lisboa". No sábado, foi a vez de Marco Rodrigues apresentar “Copo Meio Cheio”. Este “filho da terra” que apadrinhou recentemente a candidatura de Sistelo a uma das 7 maravilhas de Portugal Aldeias e fortemente ligado familiarmente e por vivência a Arcos de Valdevez, veio apresentar quase em primeira mão no Auditório da Casa das Artes o seu novo trabalho, para qual se rodeou de novos compositores e letristas da música pop nacional. Trouxe instrumentos que já tinha utilizado em "Tantas Lisboas" como piano, percussão e bateria, mas deu-lhes mais espaço. Não é um disco de fado, não é um disco de pop, é um disco de Marco Rodrigues, onde a sua identidade e a sua incrível capacidade interpretativa se encontram mais definidas do que nunca.  

Marco Rodrigues

 Alguns dos compositores e autores desta nova geração com que agora gravou são bem surpreendentes uma vez que se estrearam na escrita para fado. Alguns temas não são fados, mas a alma do fado é trazida pela interpretação de Marco Rodrigues. Da lista fazem parte nomes como: Carlão, Diogo Piçarra, Luísa Sobral, Capicua, Agir, Pedro da Silva Martins, Tiago Pais Dias e Marisa Liz (Amor Electro) Boss AC, ou os ÁTOA, entre outros. Marco Rodrigues fez questão de não deixar de fora do seu novo disco o fado tradicional, que ganhou nova vida com letras de Luísa Sobral, Capicua e Carlão.  

Milay Lagarto

 No sábado, Milay Lagarto, arcuense que participou recentemente no programa Just Duet da SIC, também brilhou ao interpretar, acompanhada dos músicos de Marco, dois temas sobejamente conhecidos do público, nomeadamente “Chuva”, da fadista Marisa, e “Havemos de ir a Viana”, de Pedro Homem de Melo. 

 A Casa das Artes arcuense vibrou e encheu para duas noites magníficas onde o Fado foi rei. 

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